quinta-feira, 8 de julho de 2010

De volta ao blog

Definitivamente, mudada! De casa, porque eu sigo a mesma: fazendo a promessa de atualizar pelo menos uma vez por semana o blog. A ver se cumpro.
Para recomecar, um registro da vista do novo ape.

E agora sim, está frio nessa terra! Ha dois dias atras choveu forte, com vento, e no dia seguinte a cordilheira estava super branquinha... lindo. Mas muito frio, que nada é de graca...

sábado, 17 de abril de 2010

Comecou o frio

Ontem choveu um pouquinho, a a temperatura caiu radicalmente. Bem, está um frio bem gostoso, tipo casaquinho leve. Mas os chilenos decretaram: comecou o frio. Creio que isso significa que daqui pra diante a coisa vai piorar bastante. O povo é meio sadico: vivem me dizendo que no inverno faz muito muito frio. Obviamente se eles, que ja passaram por frios semelhantes, acham muito frio, eu, um ser tropical, vou virar picole. Uhhhuhuhu.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Primeira Viagem!

Nada como uma viagem para tirar a pessoa do caminho trilhado... chega de falar de tremores! Vamos falar de secura. Como é seco o norte do Chile! Bem, aqui em Santiago também é, mas indo pro Norte fica mais seco ainda. O deserto é logo ali, apesar de que andamos muuuuuitos kilometros. Não, não fomos ao deserto do Atacama, ainda. Fizemos uma pequena viagem a Ovalle, que é no “Norte Chico”, como chamam aqui. Mas como o Chile é comprido, a gente aaaaannnnda de carro, estrada comprida também, que parece que não tem fim. Ovalle é uma cidade típica de interior, nada pra fazer. Mas o atendimento no hotel foi ótimo, uma simpatia bem espontânea, eles realmente pareciam gostar de estarmos ali. Deve ser porque quebra a monotonia... Perto de Ovalle, o que tem de interessante são petroglifos, da cultura Molle, anterior aos Incas. E danamos a subir montanha de pedras, para ver os desenhinhos dos Molle; bacana, mas bem cansativo. DE Ovalle, resolvemos descer um pedaço, pra economizar estrada na volta. Atravessamos desertos de montanhas cobertas de cactus, para de repente cruzar com uma cidadezinha, e tudo plantado: videiras, cítricos e oliveiras, verde verde. Vai entender. Passamos por uma cidade maiorzinha, Monte Patria, e baixamos até Combarbalá. A típica praça, com coreto (horrendo) e igreja, duas ruas mais, e acabou a cidade. Mas perto tem um dos vários observatórios turísticos do Norte do Chile.
O céu do norte do Chile é considerado um dos mais puros do mundo, pela distancia dos centros urbanos e a atmosfera seca. As mais prestigiosas instituições de pesquisa astronômica instalaram seus potentes telescópios aqui. Para não deixar os amadores de fora, os municípios construíram vários observatórios para atender aos turistas. Como o observatório Cruz Del Sur, esse que fomos, que tem 4 pequenas cúpulas com telescópios de excelente qualidade, e técnicos que nos esclarecem as duvidas. Vimos saturno e três das suas luas; um aglomerado de estrelas muito interessante, que eu nunca tinha visto, formavam como uma teia de aranha. Estrelas velhas, disse o técnico. Observamos estrelas, no telescópio e a olho nu, e a nossa querida lua. Muito bacana. (Aqui dizem bacán, com o mesmo significado. Será que a palavra tem a mesma origem?)
Na volta, nos abastecemos de queijo e pecas de combarbalita, uma pedra linda, cheia de veios, que forma as montanhas da região. Chegamos cansados, é muito chão. Pior que olhando o mapa, constatamos que conhecemos só um pedacinho do Norte... Pro Atacama, só de avião!

domingo, 28 de março de 2010

De mudanca

Este apartamento do 20º piso alugamos por temporada. Era só para ficar até a mudança chegar, mas já estamos aqui há 6 meses. É um confortável apartamento, estamos bem, mas é uma experiência estranha pensar nas coisas que temos e não podemos ter. Temos uma coleção de CDs da Historia do Mundo que lembramos que pode ser muito útil para o trabalho da Carol, mas está na mudança. Olho com olhar comprido o povo que fim de semana pedala ate aquele restaurante charmosinho perto-longe, mas minha bicicleta está na mudança. Na cozinha, perco um tempo procurando utensílios que, depois me lembro, não são aqui dessa casa, estão na mudança. Minha mesa de trabalho está impessoal, porque as fotos e as coisinhas que gosto de ter em volta de mim... estão na mudança.

Mas ao mesmo tempo, penso em como posso tranquilamente viver sem essas coisas. E sem muitas outras mais que sequer lembro que tenho. Viver bem assim tem muito da minha capacidade de adaptação, e também de este ser um bom apartamento, com uma decoração clássica, porém funcional. Mas para uma pessoa que gosta de acumular cacarecos (no Chile tem uma palavra pra isso: cachivachero) é toda uma evolução se desprender dos vários objetos significativos. Tenho saudade deles. Com sua historia, cada um deles é como se fosse um amigo, para o qual não posso mandar email e saber notícias. E o pior, alguns deles foram sumariamente destruídos! A alfândega do Chile é absolutamente rígida para não correr o risco de entrar praga no país, e incinerou, sem perguntar, vários “bultos” que eu até agora não sei o que eram... No relatório entregado, falavam de “adornos de madeira”: podem ser os entalhes da Chiquitania; a raiz retorcida e repolhuda de uma arvora típica boliviana; pode ser o entalhe que compramos no Sul de Portugal, lembrança da maravilhosa viagem com a Fabi e a Nanda; podem ser tantas coisas... Incineraram meu arranjo de flores secas, que eu fiz com tanto carinho... se estavam secas, que bichinho poderiam ter? Se fosse alguma das comidas, grãos andinos, wacataya, ou geleias que coloquei sorrateiramente no meio das coisas, ainda vá... Isso sem pensar o que pode ter quebrado com o famigerado terremoto.

OK, valeu para exercitar o desprendimento material, sei que posso viver sem minhas coisinhas. Mas quando tiver elas de volta, vou ficar mais feliz.

sábado, 27 de março de 2010

Crente que ia mudar de assunto...

Pois eh, hoje a gente ia fazer um passeio noturno a cavalo, mas nao sei porque furou... eu crente que ia postar uma linda foto do churrasco na lua quase cheia, agora tou aqui sem nada pra dizer. Quase nada, registro que sentimos um pouco o tremor que apavorou o pessoal la no norte do Chile. Falar sobre o balanco ja ta me dando enjoo...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Prevenção... ou paranóia?

Prevenção é o lema. Eu ando na rua buscando lugares de refugio, longe dos fios de alta tensão, de prédios envidraçados, perigos assim. Nas trocas de sentimentos e informações com os amigos e colegas, descobri que houve casos em que as portas dos carros com trava elétrica se abriram todas automaticamente, assim que fiz varias alterações no meu traçado de segurança no caminho da casa para o trabalho. Meu marido visivelmente achou que eu estava paranóica. Até que encontramos com uma vizinha nossa, colega de trabalho e que, portanto, faz o mesmo caminho, parada na calcada olhando para o alto. Indignada, nos mostrou dois vasos enormes no parapeito de uma janela, afirmou que ia falar com o porteiro sobre o perigo disso em caso de replica forte. E admitiu, com um riso amarelo, que caminhava buscando identificar tudo que pudesse ser um perigo potencial para sua cabeça, caso o próximo pegasse ela na rua. Ah, eu também! E dividimos nossas impressões sobre as partes mais seguras do caminho, e locais de refugio para quando estivéssemos perto de fios de alta tensão. Viu, não sou só eu... Pode chamar de paranóia, mas prevenida assim, eu estou tranqüila.

terça-feira, 23 de março de 2010

Benefícios da catarse coletiva

Escrever sobre os sentimentos pós-terremoto me fez muito bem. Falar sobre eles também é ótimo, li num artigo de jornal. Na pratica, já tinha percebido isso, porque há uma verdadeira compulsão, até com desconhecidos, de contar onde e como foi que passou o terremoto e a grande replica. O chileno normalmente é um latino mais fechado, até os motoristas de taxi, mas agora temos esse assunto em comum, e a compulsão em falar dele. Confesso que estou aproveitando o interesse natural que desperta um estrangeiro (que, como vocês sabem, não esta acostumado...) para acrescentar um pouco de emoção à minha historia: dramaticamente digo: “e eu, que passei no 20º andar...”. Ganho automaticamente vários pontos de simpatia por ter vivido esta experiência.

Mas é bacana dividir as sensações com os colegas de trabalho, gente com quem você pode ir um pouco mais além do circunstancial. A gente descobre que o que está sentindo, várias pessoas sentem também; isso faz com que o incomodo não seja algo estranho, mas sim normal. Isso reconforta. Semana passada, por exemplo, uma colega comentou que estava todo o tempo tonta. Eu eventualmente me sentia assim, mas para outra pessoa a sensação também era constante. Outras pessoas comentaram o mesmo, e sacaram a tese de que o principio é o mesmo da síndrome do mar, ou que nome tenha: uma pessoa que esteve muito tempo num barco, quando vai para a terra sente ainda o balanço das ondas. Ufa, era só isso... Depois de tantas réplicas, eu já não sabia mais o que era replica da terra, ou se as replicas se haviam instalado em mim.