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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Chega de manifestacoes!

Aos poucos, a sociedade civil ¨desorganizada¨ mostra que já esta cansada dos excessos que geram as marchas estudantis. Ontem, uma mulher agarrou um taco de hockey e foi defender o sinal de transito perto da sua casa. Perdeu a nocao, quase levou porrada da turba raivosa... Acabou virando noticia pela reacao exacerbada, mas varios outros fatos isolados mostram que as pessoas já estao cansadas de tanto tumulto. Conversando com amigos, motoristas de taxi, porteiros, e com quem mais posso puxar papo sobre o assunto, percebo que todos concordam com que a educacao eh cara, mas que as demandas dos estudantes já estao radicais demais. Há alguns dias atras, o governo aumentou o orcamento para a educacao e garantiu bolsas de estudos para 40% dos estudantes mais pobres do pais. Mas os dirigentes nem se importaram com o fato e continuam intransigentes. Parece que o sucesso de midia subiu a cabeca do pessoal.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Porradaria geral


Ontem à noite a greve geral teve seus episódios mais violentos, principalmente em Santiago. Grupos de “encapuchados” aproveitaram para realizar saques, fazer barricadas e atear fogo para impedir o livre passo. Também os ataques violentos a estabelecimentos deram um toque totalmente desproporcional ao ato. Pelas fotos, parecia a Líbia.

Um dos organizadores da greve disse ontem que “o país não funcionou normalmente hoje”, e justificou dizendo que os cidadãos não compareceram para realizar tramites nas repartições publicas. Obvio, né? Quem é que vai se meter no meio da briga, para ainda ser atendido por um funcionário mal-humorado, se pode fazer isso outro dia? Uma pena, realmente, que estas diferenças políticas tenham escalado a este nível, pois prejudica a imagem país, e não acredito que se possa chegar a um consenso que efetivamente beneficie a população.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

e a greve geral no Chile?

Para hoje e amanha, a CUT daqui, o maior sindicato de trabalhadores, convocou uma greve geral de trabalhadores. A lista de reivindicações tem pelo menos uns seis motivos declarados, e obviamente muita polemica. Dentre as petições, além de se somarem aos estudantes no pedido de educação gratuita, também está o pedido de reforma tributária, reforma no sistema de previdência, um novo código de trabalho e uma nova Constituição. Em suma: plástica, lipo, botox, reforma total.

Segundo os opositores da greve, onde se inclui o segundo maior sindicato de trabalhadores do Chile, todas estas reivindicações têm sua origem em ações realizadas pelos anteriores Governos da Concertación, partidos de esquerda que hoje estão na oposição. Porém, nesta época, alegam, ninguém fez greve nem saiu as ruas pedindo por condições diferentes. Portanto, a greve seria política, para desestabilizar o atual Governo, de direita.

Seja lá qual for a motivação, fato é que, até onde vi, a greve não pegou. Claro, não recomendo a ninguém que vá ao centro da cidade, local clássico das marchas e das provocações dos “encapuchados” (quem cobre o rosto para não ser identificado) aos carabineiros. Mas onde eu moro, e onde trabalho, vida absolutamente normal. De manha cedo, estava tudo muito silencioso, pouca gente na rua, assim que me deu um pouco de medo de sair de casa e ser assaltada por espertos de plantão, que aproveitam a concentração de carabineiros em outro lado para roubar. Saí um pouco mais tarde, as ruas já estavam cheias; no trabalho encontrei todos os companheiros, as pessoas para as quais telefonei trabalhavam normal, o comercio todo aberto... De greve, nem sinal.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Seguem os protestos

Continuam os protestos de estudantes, por sorte concentrados no centro da cidade, em Santiago. Agora, outros setores também se somaram a onda de protestar, cada um reivindicando seus temas, e todos contribuindo para aumentar a confusão. Fui ao centro ontem, e grupinhos de 6 a 10 pessoas se reuniam nas esquinas, vestidos de azul, portando bandeiras azuis e com vuvuzelas azuis, fazendo um barulho infernal. São funcionários de um banco, protestando por melhores salários, me informaram. Bem vi que estavam meio velhinhos para ser estudantes.
Assim que esta parte da cidade está meio caótica, com distúrbios estourando sem controle. Os estudantes, durante uma passeata, até invadiram um prédio residencial, porque uma moradora, provavelmente cansada do tumulto na sua porta, lançou um vaso de plantas do seu apartamento, provocando a ira da galera. Como dizemos os cariocas, estão perdendo a noção...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Estudantes protestam

Há mais de 2 meses que os estudantes protestam pelo custo da educação no país. Marchas toda a semana, ocupação dos colégios, incidentes e confrontos com a polícia marcam a intensidade da manifestação. Não estão pra brincadeira esses meninos...
Acho admirável que um povo lute pelos seus direitos. E mais ainda que sejam jovens lutando pelo direito de estudar, num mundo onde cada vez mais se valoriza o sucesso fácil e a superficialidade. Pena que o protesto esteja passando dos limites “civilizados”, digamos assim. Cada marcha é um transtorno na vida da cidade, gera engarrafamentos nas principais vias do centro, confronto com carabineros, distúrbios vários. Fui semana passada a um prédio histórico, onde funciona atualmente a Embaixada do Brasil, e os vidros foram apedrejados. Os alunos vão acabar perdendo o ano letivo, porque o impasse não chega a uma solução. A negociação não é fácil, pois as demandas de alunos e professores são históricas: eles buscam minimizar a defasagem criada durante a ditadura, que diminuiu a 2,4% do PIB o investimento estatal na educação. Hoje alcança 4,4% do PIB Chileno, mas os estudantes pretendem que chegue a 7%, conforme recomendado pela UNESCO. Além disso, as demandas principais incluem uma reforma no sistema de acesso as Universidades que assegure igualdade de oportunidades, benefícios através de uma Carteira Nacional de estudantes, e varias outras petições. Coloque uma pitada de tempero político, e temos um prato de difícil digestão... Tomara que cheguem a uma solução, o povo chileno merece educacao para todos, mas tranquilidade tambem.