Quem leu noticias sobre os recentes tremores, e sobre como a população está assustada, coisa e tal, não se preocupe, pelo menos se vem para Santiago. Aqui balançou um pouco, mas historicamente se prevê que vai tremer durante uns 2 anos, é normal depois de um terremoto do tamanho que foi. Claro que lá na costa, onde teve maremoto, onde o terremoto e estas mesmas réplicas são mais fortes, o povo está traumatizado. Daí as noticias, o pessoal subindo para os lugares altos, o susto. Aqui, é só manter a calma, procurar somente não ficar debaixo de nada que possa cair na sua cabeça (livros, luminárias, tetos falsos, etc).
E aproveitar Santiago sem transito. Está uma maravilha! A rede de ônibus está distribuindo nas paradas um mapa da cidade com o circuito dos ônibus, assim que se a opção do visitante for por não alugar carro, além do metro existe mais essa opção confortável de se deslocar pela cidade.
Mas o transporte da moda é a bicicleta. Durante a semana, engravatados e arrumadinhas desfilam com seus capacetes pela cidade. E fim de semana, nas pistas de ciclismo é o unico lugar que tem fila na cidade. Eu, que no verao passado invejava os ciclistas e morria de saudades da minha magrela, agora estou inventando mil desculpas para nao andar: porque nao tenho capacete, porque tenho que levar cachorro pra passear, porque tenho muito que fazer em casa... Tudo isso é verdade, mas também é verdade que adoro pedalar. Por que nao vou?
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
domingo, 14 de março de 2010
Alguém se acostuma com isso?
Aprendemos o que significa, em linguagem sismológica, “réplica”. É algo que se repete, não tem mistério. Mas no caso de um terremoto, o que é a repetição da tentativa das placas tectônicas se acomodarem, é para nós um desconforto constante que não se repete: com uma replica te assustas, outra não sentes, outra de dá pânico. Pior é olhar a cara dos chilenos em um momento de replica mais forte. A maioria deles está visivelmente apavorada! Eu, que não estou tão assustada assim, fico pensando se não deveria ficar... Afinal, eles supostamente deveriam estar acostumados com abalos constantes da terra.
Essa historia de “acostumados” dá o que pensar. Porque os chilenos sempre nos perguntam, a nós brasileiros, como passamos pelo terremoto, “vocês que não estão acostumados”. Dada a cara de apavoramento deles nas replicas, cheguei à conclusão de que ninguém se acostuma com isso. E porque então essa mania de nos perguntar como nos foi, sempre com o complemento “vocês que não estão acostumados”? Pode ser uma forma de tentar convencer-se de que estão mais preparados para enfrentar o problema, em outros casos uma maneira de mostrar simpatia a pessoas que não pertencem a esta terra tremblante. Pode ser por muitos motivos, sei que conheço pelo menos duas brasileiras que se irritam profundamente com a pergunta. Mas se irritam muito mesmo... Entendo: na hora do sufoco, não tem essa de chileno, brasileiro, homem, mulher, bandido e mocinho; todo o mundo animal se apavora.
Essa historia de “acostumados” dá o que pensar. Porque os chilenos sempre nos perguntam, a nós brasileiros, como passamos pelo terremoto, “vocês que não estão acostumados”. Dada a cara de apavoramento deles nas replicas, cheguei à conclusão de que ninguém se acostuma com isso. E porque então essa mania de nos perguntar como nos foi, sempre com o complemento “vocês que não estão acostumados”? Pode ser uma forma de tentar convencer-se de que estão mais preparados para enfrentar o problema, em outros casos uma maneira de mostrar simpatia a pessoas que não pertencem a esta terra tremblante. Pode ser por muitos motivos, sei que conheço pelo menos duas brasileiras que se irritam profundamente com a pergunta. Mas se irritam muito mesmo... Entendo: na hora do sufoco, não tem essa de chileno, brasileiro, homem, mulher, bandido e mocinho; todo o mundo animal se apavora.
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